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	<title>stereotonia</title>
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	<description>um neologismo</description>
	<pubDate>Wed, 13 Jun 2007 04:25:19 +0000</pubDate>
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		<title>Robôs Gigantes</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Jun 2007 04:23:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>victor heringer</dc:creator>
		
	<category>Música</category>
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		<description><![CDATA[	Sou extremamente atraído por nomes. De diversas formas, desde as mulheres &agrave; música. Das duas coisas mencionadas, a música, infelizmente, é o que faz mais estrago. Nesse histórico de atra&ccedil;&otilde;es bizarras por coisas completamente rand&ocirc;micas e sem nexo algum com a realidade palpável, um nome realmente me choca e cativa. Foi assim que eu conheci [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>Sou extremamente atraído por nomes. De diversas formas, desde as mulheres &agrave; música. Das duas coisas mencionadas, a música, infelizmente, é o que faz mais estrago. Nesse histórico de atra&ccedil;&otilde;es bizarras por coisas completamente rand&ocirc;micas e sem nexo algum com a realidade palpável, um nome realmente me choca e cativa. <br />Foi assim que eu conheci <em>Tokyo Police Club</em>, uma banda canadense formada por quatro amigos (Greg Alsop na percuss&atilde;o, Josh Hook na guitarra, Dave Monks no vocal e no baixo e Graham Wright, vocal e teclado) que resolveram, quase por acaso, tocar juntos. Conheci do mesmo jeito que conheci a série de mangá <em>Tokyo Babylon</em> e tantas outras tranqueiras com a capital nip&ocirc;nica no nome. Apesar do motivo esdrúxulo para escutar a banda, os quatro rapazes de <em>Newmarket, Ontario</em> realmente me surpreenderam com o som que eu só consigo classificar utilizando uma analogia igualmente esdrúxula.</p>
	<p><img style="width: 363px; height: 563px" height="563" src="http://tokyopoliceclub.net/pictures/ryan_fujiki_for_onelooseboot_0028.jpg" width="363" border="1" /></p>
	<p>Imaginem bem a capital do Jap&atilde;o, com suas milh&otilde;es de cores em néon numa madrugada já quase amanhecida. Pouca gente na rua, alguns limpadores de cal&ccedil;ada varrendo o já impecável ch&atilde;o nip&ocirc;nico; as pessoas come&ccedil;am a acordar para logo lotarem as ruas e os metr&ocirc;s e os &ocirc;nibus. Ao longe, na fronteira da cidade com o resto do mundo, um imenso aparato de metal reluz ao sol nascente. Imaginem bem um rob&ocirc; dos filmes de fic&ccedil;&atilde;o científica dos anos 50, caminhando como se houvesse um homem gigantesco, limitado em seus movimentos, por debaixo da carapa&ccedil;a de metal. O peito metálico fulgurando nos olhos de quem deu azar e saiu mais cedo de casa. Os bra&ccedil;os do imenso aut&ocirc;mato balan&ccedil;ando no ar vazio da fronteira&#8230;<br />Seria uma vis&atilde;o bonita, remetendo a inf&acirc;ncia de quem assistiu <em>National Kid</em> na TV, se n&atilde;o fosse uma imin&ecirc;ncia de catástrofe. <br />A música de <em>Tokyo Police Club</em> é esse rob&ocirc; gigante, destruindo o topo dos prédios com os bra&ccedil;os descontrolados de alguém que n&atilde;o consegue parar de dan&ccedil;ar ou causar estragos. É bom por si só, crer-se dentro de um imenso vil&atilde;o de seriado japon&ecirc;s escutando uma banda canadense. O b&ocirc;nus é poder dizer que já destruiu Tóquio&#8230;<br />
<p align="left">Fa&ccedil;a o download do EP (A banda lan&ccedil;ou somente um EP, e promete um álbum completo para este ano ainda.) <a href="http://w13.easy-share.com/1006829.html" target="_blank">&ldquo;A Lesson in Crime&rdquo;</a>&nbsp;</p>
	<p><em><font color="#99cccc">(créditos do link: </font></em><a href="http://themusicmine.blogspot.com/"><em><font color="#99cccc">http://themusicmine.blogspot.com/</font></em></a><em><font color="#99cccc">)</font></em> </p>
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		<title>Diário Londrino (VI)</title>
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		<pubDate>Sat, 02 Jun 2007 02:54:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>victor heringer</dc:creator>
		
	<category>Diário</category>
	<category>Impressões do Mundo</category>
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		<description><![CDATA[	Fevereiro, 1&deg;: &ldquo;A festa no barco&rdquo;
	Fomos convidados a uma festa que se supunha ser uma espécie de boas vindas. Resolvi aceitar o convite pelo fato da festa ser em um barco ancorado no rio Tamisa, nunca havia ido &agrave; uma festa flutuante, e imaginei que o efeito do álcool seria fortemente intensificado pelo vai e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p><strong>Fevereiro, 1&deg;: &ldquo;A festa no barco&rdquo;<br /></strong></p>
	<p>Fomos convidados a uma festa que se supunha ser uma espécie de boas vindas. Resolvi aceitar o convite pelo fato da festa ser em um barco ancorado no rio Tamisa, nunca havia ido &agrave; uma festa flutuante, e imaginei que o efeito do álcool seria fortemente intensificado pelo vai e vem suave da correnteza. Isso, em Londres, é um ponto favorável dado o altíssimo pre&ccedil;o das bebidas alcoólicas. Ou seja, ficar b&ecirc;bado com menos era, definitivamente, mais.<br />Passei a maior parte do dia andando pelas ruas, com um grupo de brasileiros e alguns mexicanos, tirando fotos de tudo: pessoas, prédios, veículos, ruas, pra&ccedil;as, pombos&#8230; em uma semana já havia utilizado dois rolos de filme. A máquina, uma C&acirc;non Reflex, emprestada por uns tios, causou uma impress&atilde;o tamanha em mim que eu passei a achar que era realmente fotógrafo, e que, apesar de ter tomado somente alguns cursos de fotografia no colégio, tinha todas as ferramentas para registrar a viagem da forma mais artística possível. Por esse motivo, tirava foto de pombos e senhores idosos sem o menor receio de parecer ridículo.<br />Quando come&ccedil;ou a anoitecer, fomos a um pub em <em>Leceister Square</em>, para esperar a hora de ir &agrave; festa. <em>Leceister Square</em> necessita de um texto só dela, e,&nbsp;no devido tempo, as palavras aparecer&atilde;o. Digo somente que, ao invés de ir ao pub, eu estaria muito mais feliz explorando a <em>Starbucks</em> que assoma no meio da pra&ccedil;a com seu círculo de néon verde surreal chamando os clientes ao doce prazer da cafeína. Mas, tudo bem, os brasileiros n&atilde;o dispensaram a cerveja, apesar da minha leve insist&ecirc;ncia, e eu acabei deixando a cafeína para depois. <br />O pub era interessante. Bateu cinco horas da tarde no relógio, e quinze minutos depois o lugar ficou cheio demais. É sempre assim, todos saem do trabalho <em>ninetofive</em> que t&ecirc;m e se abrigam no refúgio dos pubs. Lá dentro encontramos colegas de estudos, e, pela primeira vez, menti minha idade (seguindo conselhos do Jerry Seinfeld; segundo o qual, dizendo que tinha 15 anos eu n&atilde;o conseguiria comer ninguém) e o que fazia da vida. Foi para uma francesa. Ela me disse que era professora de primário, tinha 25 anos. Eu disse que tinha 21, e era estudante de artes plásticas, e que um dia&nbsp;adoraria pintar um retrato dela, porque ela tinha uma beleza &ldquo;estranhamente petrificadora&rdquo;. Ela gostou da idéia. Eu acendi um cigarro, tossindo levemente por n&atilde;o estar acostumado, e fiz uma cara de quem está analisando um quadro renascentista. A professora de primário sentiu-se constrangida por uns momentos e logo me deu seu telefone. Como eu n&atilde;o tinha celular, coragem ou idade para me equiparar &agrave; minha própria mentira, nunca liguei. Na saída do pub, esbarrei em um ingl&ecirc;s que parecia ser jogador de <em>rugby</em> e derrubei toda sua cerveja no ch&atilde;o. Quando pensei que já me envolveria em minha primeira briga de bar, ele pediu desculpas. Estranho, porque até quando pisamos nos pés de alguém no metr&ocirc; eles pedem desculpas; povo estranho. Paguei uma cerveja ao jogador de <em>rugby</em>, para substituir a que eu havia derramado, e rumamos para o rio Tamisa.<br />A festa foi, no mínimo, interessante. O barco aparentava ser muito pequeno para comportar uma festa, porém, por dentro era espa&ccedil;oso, com dois bares, várias mesas e uma pista de dan&ccedil;a. Deixamos todos nossas mochilas e casacos em uma pilha de outras mochilas e casacos de amigos e fomos beber. Conheci dois russos que pareciam ser namorados. Lembro-me perfeitamente do nome da mulher: Ilona, pois ela me escreveu um bilhete com seu nome e e-mail em letras roxas para mim. Disse, em seu russo com toques de ingl&ecirc;s, que era modelo, e me mostrou fotos em seu celular. Nunca havia visto um celular com fotos antes. <br />Além dos russos, encontrei o loiro que havia gritado &ldquo;<em>THE UN!!!</em>&rdquo; no primeiro dia de aula, e ele me contou sobre sua namorada, que o esperava na Suécia. Ao ser perguntado se eu tinha uma namorada que me esperava no Brasil, respondi que sim, n&atilde;o sei por que. Logo devolvi outra pergunta, porque ele n&atilde;o aproveitava as mulheres de Londres, já que a sua estava a milhares de quil&ocirc;metros de dist&acirc;ncia. Ele me respondeu, sorrindo sarcasticamente, que ela valia mais a pena.<br />N&atilde;o bebi tanto, para economizar. Tampouco o vai e vem do barco me deixou mais tonto. A festa passou e, quando resolvi ir embora, minha mochila havia sumido. <br />A primeira coisa que eu fiz foi checar o bolso de trás da cal&ccedil;a, certificando-me que o passaporte estava comigo. Depois, me acalmei e procurei a mochila. N&atilde;o encontrei. E fui embora, quase certo de que, quando voltasse ali amanh&atilde;, n&atilde;o teria sucesso em recuperar as camisetas que havia comprado, minha bola de golfe da sorte ou meus rolos de filme. E o pior: a c&acirc;mera que me fazia achar que era artista. <br />De fato, no dia seguinte n&atilde;o a encontrei, perguntei aos marujos do barco se haviam encontrado algo, se haviam visto algo, e nada. Havia perdido todas as fotos dos pombos. <br />Comecei a achar que o Diabo havia subido as escadas rolantes do Inferno para me recepcionar na Europa. Contudo, devido ao frio mortal que fazia no continente, logo descartei essa possibilidade e&nbsp;passei somente&nbsp;a maldizer&nbsp;a parcela de azar individual que Deus nos dá. Pelo menos, me consola o fato de que, hoje, as fotos dos pombos me pareceriam extremamente ridículas. Coisa idiota&#8230; tirar foto de pombo&#8230;
</p>
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		<title>Diário Londrino (V)</title>
		<link>http://stereotonia.blogsome.com/2007/05/31/diario-londrino-v/</link>
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		<pubDate>Thu, 31 May 2007 15:37:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>victor heringer</dc:creator>
		
	<category>Diário</category>
	<category>Impressões do Mundo</category>
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		<description><![CDATA[	Janeiro, 29
	O professor tinha um livro. Nada mais comum e usual, um professor ter um livro. E quando eu cheguei, atrasado, já com o cronograma de aulas em m&atilde;os, para a primeira aula de ingl&ecirc;s ou costumes ingleses ou qualquer coisa do tipo, o professor (que se chamava Ken) estava folheando aquele livro amarelado, quase [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p><strong>Janeiro, 29<br /></strong></p>
	<p>O professor tinha um livro. Nada mais comum e usual, um professor ter um livro. E quando eu cheguei, atrasado, já com o cronograma de aulas em m&atilde;os, para a primeira aula de ingl&ecirc;s ou costumes ingleses ou qualquer coisa do tipo, o professor (que se chamava Ken) estava folheando aquele livro amarelado, quase amarronzado já pelo tempo. <br />Sentei em um lugar qualquer, a sala era composta por uma mesa disposta em quadrado para que os alunos pudessem olhar uns para os outros e ao mesmo tempo para a cara do professor. Fui cumprimentado por todos, ou por ninguém, n&atilde;o lembro, e o professor come&ccedil;ou a ler um trecho do seu livrinho. Descrevia algo, alguma institui&ccedil;&atilde;o, mencionou a segunda guerra. De súbito um cara loiro levantou a m&atilde;o e disse: &ldquo;<em>THE UN!!!</em>&rdquo;. N&atilde;o entendi nada e acabei rindo, porque eram oito da manh&atilde; e alguém acabara de gritar &ldquo;<em>THE UN!!!</em>&rdquo; no meio de uma sala de aula silenciosa. O professor respondeu que n&atilde;o, mas que tinha sido uma boa tentativa. Continuou o texto e eu fui descobrindo ao poucos que era um jogo de adivinha&ccedil;&atilde;o. <br /><span>Todos os dias, ao come&ccedil;ar a aula, Ken abria seu livrinho e come&ccedil;ava a ler uma descri&ccedil;&atilde;o, ou um conjunto de nomes, e nós deveríamos acertar o que era. Nunca fiz nada t&atilde;o divertido dentro de uma sala de aula. Lembro-me que acertei no dia seguinte, depois que ele come&ccedil;ou a entoar: &ldquo;<em>Miles Davis, Thelonius Monk, Charlie Parker, Bill Evans, Dizzy Gillespie</em>&rdquo;: &ldquo;<em>they&rsquo;re all jazz players!!</em>&rdquo;. <br /></span>&Agrave;s vezes ele come&ccedil;ava a contar uma história e nós tínhamos de descobrir o final, ou o come&ccedil;o. &ldquo;Um homem, se joga de um prédio. Enquanto cai ouve um telefone tocar e se arrepende.&rdquo; E todos come&ccedil;am a responder: &ldquo;estava drogado!!&rdquo;, &ldquo;estava desiludido no amor!!&rdquo;. Mas o come&ccedil;o da história era simples: o mundo havia acabado, todos haviam morrido menos o homem. Ele decide se matar.<br />Tudo muito divertido.
</p>
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		<title>Diário Londrino (IV)</title>
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		<pubDate>Sun, 27 May 2007 20:31:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>victor heringer</dc:creator>
		
	<category>Diário</category>
	<category>Impressões do Mundo</category>
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		<description><![CDATA[	Janeiro, 28Ontem encontrei o Jerry Seinfeld, o paulista que acabou se hospedando na casa em que eu fui jogado por engano. Contrariando minhas expectativas, ele acabou gostando da casa e dos anfitri&otilde;es. Pensei em perguntar-lhe sobre a foto do cachorro que havia naquele quarto bolorento, mas descartei logo a idéia. Ele me apresentou o meu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p><strong>Janeiro, 28<br /></strong><br />Ontem encontrei o Jerry Seinfeld, o paulista que acabou se hospedando na casa em que eu fui jogado por engano. Contrariando minhas expectativas, ele acabou gostando da casa e dos anfitri&otilde;es. Pensei em perguntar-lhe sobre a foto do cachorro que havia naquele quarto bolorento, mas descartei logo a idéia. Ele me apresentou o meu substituto como seu companheiro de quarto, um franc&ecirc;s de nome Cedric, homenzarr&atilde;o de quase dois metros de altura que nos explicou que, na Fran&ccedil;a, ele trabalhava como carregador de caminh&otilde;es de entrega. Achei interessante, mas ele me disse que era melhor estar preso, porque teria uma cela própria, comida gratuita e diversos tipos de regalias. Pensei que talvez o franc&ecirc;s pudesse dar uma ajuda nos negócios escancaradamente ilícitos do jovem que o abrigava, aí sim talvez tivesse a chance de ir em cana.</p>
	<p><span>O primeiro dia de aula foi interessante, me lembro que nos colocaram numa sala e nos explicaram que n&atilde;o poderíamos fazer o sinal de &ldquo;v&rdquo; de vitória com a palma da m&atilde;o virada para dentro, pois era um sinal extremamente ofensivo. A raz&atilde;o da ofensa remonta &agrave; Guerra dos Cem Anos: quando os temidos arqueiros ingleses eram capturados pelos inimigos franceses, estes prontamente decepavam os dois dedos utilizados no manejo do arco. Ent&atilde;o, para ofender os inimigos no campo de batalha, os ingleses mostravam os dois dedos, como se dissessem: &ldquo;Olhem, franceses, eu tenho os dois dedos e vou lhes furar, safados que n&atilde;o tomam banho&rdquo;. Algumas pessoas riram da explica&ccedil;&atilde;o do professor, outras pareciam ter escutado a mesma palestra umas cinco vezes e escreviam em seus cadernos ou conversavam entre si. Na fila da frente havia uma garota de olhar triste, conversando com outra garota de olhar triste. Elas me disseram que n&atilde;o ag&uuml;entavam mais a Inglaterra, e que queriam voltar para Belarus. Depois me ensinaram um palavr&atilde;o em russo, que se escreve com um tri&acirc;ngulo, um círculo e um xis e se pronuncia &ldquo;<em>lór</em>&rdquo;. N&atilde;o lembro exatamente o que quer dizer o palavr&atilde;o. Talvez me xingassem sem que eu percebesse. Nunca mais vi nenhuma das duas meninas.</span>
</p>
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		<title>Diário Londrino (III)</title>
		<link>http://stereotonia.blogsome.com/2007/05/24/diario-londrino-iii/</link>
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		<pubDate>Thu, 24 May 2007 23:24:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>victor heringer</dc:creator>
		
	<category>Diário</category>
	<category>Impressões do Mundo</category>
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		<description><![CDATA[	Janeiro, 27: &ldquo;Sinestesia&rdquo;
O dia seguinte nevou, ou quase nevou, ou choveu t&atilde;o frio que parecia neve. As ruas come&ccedil;aram a se encher de pequenas cordilheiras de gelo e as cal&ccedil;adas ficaram escorregadias. Vi muita gente caindo pelas cal&ccedil;adas durante o tempo que fiquei em Londres; escorregando e caindo de bunda, de costas, de cara. Os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p><strong>Janeiro, 27: &ldquo;Sinestesia&rdquo;<br /></strong>
<p>O dia seguinte nevou, ou quase nevou, ou choveu t&atilde;o frio que parecia neve. As ruas come&ccedil;aram a se encher de pequenas cordilheiras de gelo e as cal&ccedil;adas ficaram escorregadias. Vi muita gente caindo pelas cal&ccedil;adas durante o tempo que fiquei em Londres; escorregando e caindo de bunda, de costas, de cara. Os ingleses riem modestamente desses episódios, alguns até se dignam a ajudar, mas é raro. Nesse dia uma mo&ccedil;a caiu, era linda, tinha os cabelos loiros bem estilizados até o ombro, vestia um sobretudo e escondia o nariz com um xale fino, n&atilde;o lembro se era rosa ou bege. Ia caminhando com cuidado, olhando para o ch&atilde;o gelado e trai&ccedil;oeiro, &agrave;s vezes deixando escapar uma cena de filme do Kieslowski onde revelava a pontinha do nariz. Estávamos eu e o chin&ecirc;s, esperando o &ocirc;nibus para a esta&ccedil;&atilde;o mais próxima da ferrovia, conversávamos sobre trivialidades quando a mo&ccedil;a escorregou com um dos pés, erguendo-o bizarramente, e desabou sentada na cal&ccedil;ada. Um homem do nosso lado riu de lado, como se cuspisse. Uma senhora veio de algum lugar para conferir se a mo&ccedil;a n&atilde;o havia se machucado. Em um momento que durou n&atilde;o mais que alguns segundos, o xale bege ou rosa da mo&ccedil;a deixou revelar seu rosto. E era lindo, fez-me lembrar que as viagens s&atilde;o feitas dessas coisas. De rostos que eu nunca mais verei.<br />Sorri para o chin&ecirc;s, ele me olhou curioso, em reprova&ccedil;&atilde;o. Eu lhe disse que n&atilde;o estava rindo da queda da mulher, e sim da revela&ccedil;&atilde;o que havia tido. Ele n&atilde;o entendeu a palavra &ldquo;<em>epifany</em>&rdquo; e se limitou a dizer que também achava a mo&ccedil;a bonita. Nesse momento, o &ocirc;nibus chegou.<br />Os &ocirc;nibus em Londres t&ecirc;m horários estranhos, como 12:51, ou 00:44. Esses números quebrados s&atilde;o sempre respeitados, os &ocirc;nibus invariavelmente est&atilde;o lá no horário previsto, nem um minuto a mais ou a menos. Creio que, em todo o tempo que estive aqui, só sofri com uns dois atrasos, e ambos de insuportáveis um minuto e meio. Nas periferias os &ocirc;nibus n&atilde;o s&atilde;o aqueles famosos de dois andares, e quando eu perguntei sobre eles, o chin&ecirc;s me respondeu que esses famosos só circulam na Londres Central, e que eram coisa de turista. Fomos um tanto calados na viagem até a esta&ccedil;&atilde;o, e eu me dei conta de que nos &ocirc;nibus de dois andares devia fazer um frio desgra&ccedil;ado, e eu já tiritava com o parco aquecedor deste, que ia fechado como uma lata de sardinhas.<br />Em quinze minutos chegamos &agrave; primeira esta&ccedil;&atilde;o, <em>Thornton Heath</em>. Já estávamos menos sonolentos e ele já me contava sobre as coisas da escola. A esta&ccedil;&atilde;o é bem típica: concreto, trilhos, bancas de jornal e cafés. Em poucos dias passei a amar <em>Thornton Heath</em>, e a achava diferente de todas as outras, apesar da insist&ecirc;ncia de todos em me dizer que era sem gra&ccedil;a e tinha um cheiro estranho. Porém, era um cheiro menos estranho que característico, e passou a figurar na minha mente como sendo o perfume do frio, e logo inebriou a ilha inteira. Quatro anos depois eu viria a admitir que o perfume de que eu tanto gostava era do chocolate que eu comprava todos os dias no café da manh&atilde;. Da primeira vez eu olhei a banca de doces, e vi diversos chocolates, porém, um em especial me chamou a aten&ccedil;&atilde;o: um pacote todo preto, com letras vermelhas dizendo &ldquo;<em>Mars</em>&rdquo;. Achei apropriado e comprei. A partir daí, comi a tal <em>candybar</em> todos os dias como café da manh&atilde;. E quando abria o pacote aquele perfume de <em>Thornton Heath</em> enchia meu peito. Levei quatro anos para descobrir que era o chocolate, e n&atilde;o a esta&ccedil;&atilde;o de trem, que me inebriava; um pacote de &ldquo;<em>Mars</em>&rdquo; foi tudo o que eu pedi ao meu irm&atilde;o quando chegou a vez dele de ir. E quando rasguei o papel negro, pensei estar em <em>Thornton Heath</em>, mas estava em Friburgo.<br />O interior do trem era sempre imutável: bancos impecáveis, ch&atilde;o limpo, pessoas dormindo em pé, lendo livros, lendo jornais, lendo gibis, lendo. Ao longo da minha estadia pude pesquisar os mais variados tipos de leitores que encontrei nos trens, mas n&atilde;o me dei ao trabalho de catalogá-los. Sentamos, eu e o chin&ecirc;s, em um banco duplo. Ele, logo depois de me explicar que iríamos &agrave; <em>Balham Station</em> e logo chegaríamos &agrave; <em>Waterloo Station</em>, me perguntou sobre minha família, e se eu era casado. Lembrei-lhe que tinha 15 anos e que n&atilde;o era costume no meu país as pessoas se casarem novas e lhe devolvi a pergunta. Ele ent&atilde;o abriu a carteira e tirou uma foto 3x4 de sua noiva. Era bonita, parecia saída de um <em>anime</em> qualquer, com os cabelos negros em franja caída sobre um dos olhos. Perguntei-lhe se ela morava em Londres, ele me respondeu que n&atilde;o, que ela tinha ficado em sua vila, no norte da China, esperando-o. Foi esse o momento decisivo em que eu me descobri junto a um amigo. Ele me explicou que as pessoas na China t&ecirc;m que sair do país para se especializar em qualquer coisa se n&atilde;o quiserem trabalhar muito por um salário parco todo santo m&ecirc;s. Enquanto me explicava como era sua vila, e o que faziam lá além de pescar e andar de motocicleta, olhava &agrave;s vezes para a foto, ainda pousada sobre as m&atilde;os abertas. E sorria com saudades, sem deixar transparecer o óbvio. Achei bonito, e disse que eu estava ali por um motivo menos nobre, e que n&atilde;o tinha um amor prometido quando voltasse. Ele se solidarizou, eu acho, porque logo mudou de assunto e voltou a explicar as comidas bizarras que comiam em seu país. <br />Foi o primeiro dia em que a Inglaterra teve perfume de chocolate, em que as incessantes ondas que castigam os litorais dessa ilha trouxeram marés de cacau desde portos distantes. Imaginei docas chinesas, onde a noiva do meu amigo o esperava, morrendo de saudades e orgulho de seu amor. <br />Desde ent&atilde;o, sempre que podia tomava um trem até Chinatown para olhar os patos cozidos dependurados nas vitrines, entrar nas livrarias de estantes intermináveis de poesia chinesa e livros de ervas e procurar a noiva de meu amigo, para lhe dar as boas novas, que seu amor estava bem, e a amava mais que tudo. Talvez encontrasse a mo&ccedil;a loira que havia caído em uma cal&ccedil;ada nos subúrbios, porque talvez ela gostasse dos livros sobre medicina tradicional chinesa, e talvez soubesse me esperar também, com seu xale rosa ou bege, em docas inglesas.</p>
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